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Seu Filho Cresceu. A Saúde Urológica Dele Também Precisa Crescer Com Ele
Seu Filho Cresceu. A Saúde Urológica Dele Também Precisa Crescer Com Ele
Por Dr. Umberto Amsei — Urologista e Uropediatra | São Paulo
Recebo adolescentes no consultório que chegam trazidos pelos pais com aquela expressão mista de constrangimento e indiferença como se fossem obrigados a estar ali. E em muitos casos, são. Porque a realidade que observo na prática é esta: os meninos, ao deixarem a pediatria, ficam órfãos de acompanhamento médico. As meninas têm o ginecologista. Os meninos, não têm ninguém. Ninguém que fale sobre o corpo que está mudando, sobre as dúvidas que surgem mas nunca são ditas em voz alta, sobre as condições pediátricas que precisam de seguimento na adolescência ou sobre o que manter um pênis saudável significa de fato.
A consulta do adolescente ao urologista preenche exatamente esse vazio. Ela não é uma consulta de emergência nem uma visita motivada por algum problema grave. É, ou deveria ser, uma consulta de rotina, preventiva, que olha para o jovem de forma integral: seu desenvolvimento puberal, sua saúde genital, suas dúvidas sobre sexualidade e fertilidade, e o seguimento de condições tratadas na infância que precisam de reavaliação agora que o corpo é outro. A consulta do adolescente ao urologista é o elo que falta entre a uropediatria e a urologia do adulto, e sua ausência tem consequências reais que chegam ao consultório anos depois, quando o problema já avançou.
Neste artigo, vou explicar por que a consulta do adolescente ao urologista é fundamental, quais são os temas abordados nessa consulta, quais condições pediátricas precisam obrigatoriamente de seguimento na adolescência, como funciona a abordagem multiprofissional para o jovem e como a educação em saúde nessa fase pode definir décadas de saúde urológica. Se você tem um filho adolescente, ou se você mesmo é um jovem adulto que nunca passou por essa consulta, este conteúdo foi escrito para você.
NESTE ARTIGO VOCÊ VAI ENCONTRAR:
- O gap do adolescente masculino: por que os meninos ficam sem acompanhamento médico
- O que é e o que não é a consulta do adolescente ao urologista
- Desenvolvimento puberal masculino: o que é normal e o que merece avaliação
- Condições pediátricas que precisam de reavaliação na adolescência
- Varicocele no adolescente: quando tratar e por que o momento importa
- Saúde sexual e fertilidade: as perguntas que o adolescente não faz mas precisa que alguém responda
- Autoexame testicular: a ferramenta mais simples de proteção que nenhum adolescente aprende
- ISTs, HPV e vacinação: o papel do urologista na saúde sexual do jovem
- A abordagem multiprofissional e a educação em saúde para o adolescente
- Conclusão: a consulta que deveria ser rotina e ainda não é
1. O Gap do Adolescente Masculino: Por Que os Meninos Ficam Sem Acompanhamento Médico
Recebo famílias que chegam ao consultório com o filho adolescente e dizem: “Doutor, eu trouxe porque eu percebi que ele nunca foi ao médico depois que saiu da pediatria.” Esse relato se repete com uma frequência que diz muito sobre um problema estrutural do cuidado de saúde masculino no Brasil e no mundo. As meninas, ao chegarem à puberdade, têm uma transição natural para o ginecologista: há um momento claro, socialmente estabelecido, que justifica essa primeira consulta. Os meninos não têm equivalente. Saem da pediatria e simplesmente param de ir ao médico, a não ser que apareça um problema agudo.
É nesse período (geralmente entre os 12 e os 25 anos) que condições importantes surgem ou se consolidam: a varicocele, que pode comprometer a fertilidade futura; o tumor testicular, com pico de incidência justamente na segunda e terceira décadas de vida; as primeiras infecções sexualmente transmissíveis; as dúvidas sobre o próprio corpo que, sem orientação adequada, viram ansiedade ou comportamentos de risco. A consulta do adolescente ao urologista existe para fechar esse gap, para garantir que o menino que saiu da uropediatria não fique sem o acompanhamento que sua saúde exige.
2. O Que É e O Que Não É a Consulta do Adolescente ao Urologista
Os adolescentes chegam tensos, com os braços cruzados, esperando o pior. Antes de qualquer coisa, desfaço o equívoco: a consulta do adolescente ao urologista não é, necessariamente, uma consulta de exame físico invasivo. Ela é, antes de tudo, uma conversa. Uma oportunidade de o jovem falar com um médico especializado, em um espaço seguro sobre o seu corpo, suas dúvidas, seus medos e suas experiências. O exame físico, quando necessário, é feito com respeito, explicação prévia e, sempre, na presença de um responsável ou profissional da saúde capacitado.
A consulta do adolescente ao urologista é uma consulta preventiva e educativa, não uma consulta de emergência. Ela avalia o desenvolvimento puberal, identifica condições que podem ter surgido desde a última avaliação pediátrica, faz o seguimento de condições tratadas na infância, orienta sobre saúde sexual e fertilidade, e ensina o adolescente a cuidar do próprio corpo. É uma consulta que olha para o presente, mas que protege o futuro.
Do ponto de vista prático, a consulta do adolescente ao urologista inclui anamnese detalhada sobre o desenvolvimento puberal e queixas urológicas, exame físico genital para avaliação do desenvolvimento e identificação de condições como varicocele, hidrocele, massas testiculares ou fimose não resolvida, orientação sobre autoexame testicular, discussão sobre saúde sexual — incluindo ISTs, HPV e contracepção —, e, quando indicado, solicitação de exames complementares como espermograma ou ultrassom escrotal.
3. Desenvolvimento Puberal Masculino: O Que É Normal e O Que Merece Avaliação
Muitos pais chegam preocupados porque o filho de 13 anos ainda não tem pelos pubianos ou porque o de 10 já apresentou mudança de voz. A puberdade masculina tem um espectro normal amplo, e a consulta do adolescente ao urologista é o momento ideal para avaliar se o desenvolvimento do jovem está dentro desse espectro ou se há algum desvio que mereça investigação.
A puberdade masculina normal se inicia com o aumento do volume testicular (o primeiro sinal de ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal), seguido do desenvolvimento dos pelos pubianos, crescimento peniano, mudança de voz e desenvolvimento da musculatura. Esse processo tem início, em média, entre os 9 e os 14 anos e se completa ao longo de dois a cinco anos. A puberdade precoce (início antes dos 9 anos) e a puberdade tardia (ausência de desenvolvimento testicular após os 14 anos) são condições que exigem investigação endocrinológica e urológica, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Além do desenvolvimento puberal em si, a consulta do adolescente ao urologista avalia condições que se tornam clinicamente evidentes nessa fase: a ginecomastia puberal (aumento transitório do tecido mamário), comum e autolimitado, mas que pode gerar grande ansiedade no jovem, o tamanho do pênis, a fimose persistente que não resolveu espontaneamente e que pode interferir na vida sexual, e o tamanho e a simetria testiculares, que são parâmetros importantes tanto para o diagnóstico de varicocele quanto para a suspeita precoce de tumor testicular.
4. Condições Pediátricas Que Precisam de Reavaliação na Adolescência
Muitas condições têm implicações que só se manifestam na adolescência ou na vida adulta e que precisam de reavaliação específica nessa fase. A consulta do adolescente ao urologista é o momento de fazer essa ponte.
- Criptorquidia operada: o adolescente que teve criptorquidia tratada na infância precisa de reavaliação na consulta do adolescente ao urologista para avaliação do volume testicular, do espermograma quando indicado (especialmente nos casos bilaterais), e para orientação sobre autoexame testicular, dado o maior risco de tumor testicular associado ao histórico de criptorquidia.
- Hipospádia corrigida: a avaliação da uretroplastia na adolescência é fundamental para identificar estenoses uretrais, fístulas, divertículos ou resultado estético que possa ser aprimorado. A urofluxometria é o exame central nesse seguimento da consulta do adolescente ao urologista.
- Refluxo vesicoureteral tratado: reavaliação da função renal, da pressão arterial e da presença de proteinúria, marcadores de nefropatia do refluxo que podem só se manifestar na adolescência ou na vida adulta e fazem parte do seguimento na consulta do adolescente ao urologista.
- Disfunção miccional: sintomas residuais de urgência, perdas urinárias ou infecções recorrentes podem persistir na adolescência, especialmente em jovens com disfunção miccional não completamente resolvida na infância. A consulta do adolescente ao urologista avalia a necessidade de manutenção ou retomada do tratamento.
- Rim único ou rim transplantado: monitoramento da função renal, da pressão arterial e dos hábitos de hidratação e dieta é parte essencial do seguimento longitudinal na consulta do adolescente ao urologista.
5. Varicocele no Adolescente: Quando Tratar e Por Que o Momento Importa
A varicocele é a dilatação das veias do plexo pampiniforme (rede venosa que drena o testículo) e é a condição urológica mais frequentemente diagnosticada na consulta do adolescente ao urologista. Ela afeta predominantemente o lado esquerdo, por razões anatômicas relacionadas ao ângulo de drenagem da veia espermática esquerda, e tem prevalência significativa em adolescentes do sexo masculino.
A importância clínica da varicocele está na sua relação com a fertilidade masculina: a estase venosa eleva a temperatura escrotal e pode comprometer progressivamente a espermatogênese (produção de espermatozoides). Na consulta do adolescente ao urologista, a varicocele é avaliada pelo exame físico e confirmada pelo ultrassom escrotal com Doppler. O espermograma, quando o jovem já tem idade suficiente para realizá-lo, oferece informação direta sobre o impacto da varicocele na função testicular.
Os critérios de indicação cirúrgica para varicocele no adolescente, segundo as diretrizes da Associação Europeia de Urologia Pediátrica, incluem varicocele de alto grau (II ou III) associada à hipotrofia do testículo ipsilateral, alteração no espermograma quando disponível, ou dor escrotal persistente. A varicocelectomia (cirurgia de ligadura das veias dilatadas) pode ser realizada por via laparoscópica ou microcirúrgica subinguinal, com excelentes resultados e recuperação rápida. Na consulta do adolescente ao urologista, a decisão entre observação e cirurgia é sempre individualizada e baseada nesses critérios.
6. Saúde Sexual e Fertilidade: As Perguntas Que o Adolescente Não Faz, Mas Precisa Que Alguém Responda
Muito comum, os adolescentes, ao final da consulta, quando a conversa já está fluindo com mais naturalidade, começarem a fazer as perguntas de verdade. Sobre o tamanho do pênis. Sobre se é normal ter ejaculação precoce. Sobre o que é uma IST e como se pega. Sobre se ainda poderão ter filhos depois de uma cirurgia feita na infância. Essas perguntas raramente chegam logo. Mas quando chegam, revelam um jovem que carregou dúvidas por meses ou anos.
A consulta do adolescente ao urologista é o espaço clínico adequado para essas conversas. O urologista que atende adolescentes precisa estar preparado para falar sem julgamento e em linguagem acessível sobre anatomia, função sexual, ejaculação, ereção, e sobre o que é variação normal e o que merece investigação. A disfunção erétil, por exemplo, é muito mais comum em jovens do que se imagina e frequentemente tem causas psicogênicas que se beneficiam de orientação adequada e, quando necessário, encaminhamento ao psicólogo ou sexólogo.
Em relação à fertilidade, a consulta do adolescente ao urologista é o momento de esclarecer o impacto de condições tratadas na infância como criptorquidia bilateral e hipospádia próxima, sobre a espermatogênese futura, e de orientar sobre quando e como realizar o espermograma. Para jovens com histórico de condições que aumentam o risco de infertilidade, a criopreservação de sêmen pode ser discutida como opção preventiva, sendo uma conversa que raramente acontece sem a consulta do adolescente ao urologista como gatilho.
7. Autoexame Testicular: A Ferramenta Mais Simples de Proteção Que Poucos Adolescente Aprendem
O tumor testicular é o câncer sólido mais comum em homens entre 15 e 35 anos, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Diagnosticado precocemente, tem excelentes taxas de cura. Diagnosticado tardiamente, exige tratamentos mais agressivos e com maior morbidade. A diferença entre esses dois cenários é, muitas vezes, apenas o autoexame testicular: uma técnica simples que qualquer adolescente pode aprender em dois minutos.
O autoexame testicular consiste na palpação de cada testículo individualmente, preferencialmente após o banho quente, quando o escroto está relaxado, para identificar nódulos, assimetrias de tamanho, endurecimentos ou alterações de consistência. Qualquer alteração percebida deve ser relatada ao urologista sem demora. Na consulta do adolescente ao urologista, o médico esclarece o que é normal — como o epidídimo, que pode ser confundido com um nódulo — e explica quais achados devem motivar uma consulta de urgência.
AUTOEXAME TESTICULAR — QUANDO FAZER:
- Uma vez por mês, após o banho.
- Com o escroto relaxado, palpar cada testículo individualmente com as duas mãos.
- Procurar: nódulos, endurecimentos, assimetria de tamanho ou consistência.
- Qualquer alteração percebida: consultar o urologista. Não esperar.
8. ISTs, HPV e Vacinação: O Papel do Urologista na Saúde Sexual do Jovem
A educação sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é parte integrante da consulta do adolescente ao urologista, e não pode ser delegada apenas à escola ou à família. O urologista que atende adolescentes tem a responsabilidade de falar sobre ISTs de forma clara, sem alarmismo e sem julgamento; porque o jovem que entende os riscos faz escolhas mais seguras.
O HPV merece atenção especial na consulta do adolescente ao urologista. O Papilomavírus Humano é a IST mais prevalente no mundo e o principal fator de risco para o desenvolvimento de condilomas genitais e, em subtipos de alto risco, para o câncer de pênis. A vacina contra o HPV está disponível no Programa Nacional de Imunizações para meninos entre 9 e 14 anos e em clínicas privadas para jovens e adultos acima dessa faixa etária, que tenham indicação de receber o imunizante. A consulta do adolescente ao urologista é o momento de verificar o status vacinal do jovem, orientar sobre a vacinação quando indicada e discutir o papel do preservativo na prevenção das ISTs.
Além do HPV, a consulta do adolescente ao urologista aborda outras ISTs relevantes para o jovem sexualmente ativo: herpes genital, sífilis, gonorreia, clamídia e HIV, com ênfase nos sinais de alerta, nas formas de prevenção e na importância do teste periódico para jovens com múltiplas parcerias. A prevenção combinada (vacina, preservativo e PrEP quando indicado) é discutida de forma individualizada, com base no perfil e nas necessidades de cada adolescente.
9. A Abordagem Multiprofissional e a Educação em Saúde para o Adolescente
Muitos chegam com grande ansiedade em relação ao próprio corpo, dificuldades de relacionamento, dúvidas sobre identidade sexual, pressão dos pares em relação ao desempenho sexual. A consulta do adolescente ao urologista não existe em uma bolha e ela faz parte de um cuidado integral ao jovem que, nos casos mais complexos, exige o envolvimento de outros profissionais.
A abordagem multiprofissional na consulta do adolescente ao urologista pode incluir o psicólogo (para questões de ansiedade de desempenho, disfunção erétil psicogênica ou dificuldades relacionadas à aceitação do próprio corpo), o endocrinologista pediátrico (para avaliação de puberdade tardia, ginecomastia ou alterações hormonais), o nutricionista (para orientação sobre dieta e saúde) e o geneticista (distúrbios do desenvolvimento sexual identificados ou suspeitos desde a infância).
A educação em saúde é primordial na consulta. Ensinar o jovem a conhecer seu próprio corpo, a reconhecer sinais de alerta, a buscar ajuda sem vergonha e a tomar decisões informadas sobre sua saúde sexual e reprodutiva é, talvez, o maior legado que essa consulta pode deixar. Um adolescente que sai da consulta sabendo fazer o autoexame testicular, entendendo o papel da vacina contra HPV e sabendo quando procurar o urologista é um adulto que chegará ao futuro com muito mais proteção do que aquele que nunca teve essa conversa.
10. Conclusão: A Consulta Que Deveria Ser Rotina — e Ainda Não É
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido por mim, Dr. Umberto Amsei. Neste blog post falamos sobre o gap de acompanhamento médico que afeta os adolescentes masculinos ao saírem da pediatria, o que é e o que não é a consulta do adolescente ao urologista, como o desenvolvimento puberal masculino é avaliado e quais desvios merecem investigação, quais condições pediátricas precisam obrigatoriamente de reavaliação na adolescência, a varicocele e os critérios para indicação cirúrgica no adolescente, saúde sexual e fertilidade, as perguntas que o jovem não faz mas precisa que alguém responda, o autoexame testicular como ferramenta de detecção precoce do patologias testiculares, o papel do urologista na orientação sobre ISTs, HPV e vacinação, e como a abordagem multiprofissional e a educação em saúde completam o cuidado integral ao adolescente.
A consulta do adolescente ao urologista não deveria ser uma raridade, deveria ser uma etapa natural do cuidado de saúde de todo menino que cresceu. Assim como as meninas têm o ginecologista como referência desde a puberdade, os meninos precisam de um espaço equivalente: um especialista que conheça sua história, que acompanhe seu desenvolvimento e que esteja disponível para as perguntas que ele talvez nunca faça em casa. Esse espaço existe. Chama-se consultório médico e está à disposição do seu filho.
Como urologista pediátrico formado pela Escola Paulista de Medicina/ atendo adolescentes e jovens adultos em São Paulo com uma abordagem que combina o conhecimento técnico da uropediatria com a sensibilidade necessária para cuidar de quem está em transição entre a infância e a vida adulta, entre a dependência dos pais e a autonomia sobre o próprio corpo.
Conteúdo desenvolvido pelo Dr. Umberto Amsei
Urologista e Uropediatra


